Não tem jeito. Um clássico entre Flamengo e Botafogo tem quase sempre o mesmo desfecho: os alvinegros ficam na frente do marcador até o final do jogo, mas os rubro-negros empatam. E foi assim o encontro deste domingo, no Maracanã, no compromisso válido pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro: 2 a 2. Com isso, a equipe do técnico Ney Franco não conseguiu sair da zona de rebaixamento. Para o Botafogo marcaram Alessandro e Renato, um em cada tempo, enquanto que Adriano, pela primeira vez com a camisa 10, e Emerson, aos 43 do segundo tempo, empatou. O resultado deixa o Alvinegro na 17ª colocação, com 11 pontos. Já o Rubro-Negro chegou aos 16, na décima posição.
O empate deste domingo também marcou o reencontro entre os dois rivais do Rio, no primeiro depois da decisão do último Estadual, quando o Flamengo de Cuca levou a melhor sobre o Botafogo de Ney Franco. Em vantagem duas vezes no duelo, o Bota assim perdeu a oportunidade de se "vingar" do revés do primeiro semestre.
Na próxima rodada, a 13ª da competição nacional, o Rubro-Negro terá pela frente a surpreendente equipe do Barueri, às 19h30, na quarta-feira, também no Maracanã. Já os alvinegros, ainda na quarta, irão até o Estádio dos Aflitos, em Recife, pegar o Náutico.
Equilíbrio: O primeiro tempo começou chato, amarrado e até ruim tecnicamente. A superioridade do Flamengo até os 18 minutos deveu-se à má organização e distribuição em campo por parte do Botafogo. Enquanto os rubro-negros passaram boa parte do tempo com a bola nos pés, e, consequentemente, rondando mais a área rival, a equipe do técnico Ney Franco teimou em errar passes em demasia. A dupla de ataque formada por Victor Simões e André Lima irritou mais do que agradou. Mas isso não quis dizer que o Flamengo era quem estava em uma noite inspirada, muito pelo contrário.
Aos 15, o meia Zé Roberto perdeu a primeira grande chance do clássico ao desviar, de cabeça, para fora uma falta cobrada da direita por Kleberson. No entanto, tranqüilo em campo, o Flamengo começou a ser pressionado pelo Botafogo em seu campo de defesa. Aí os papéis se inverteram. Aos 18, aos 20 e aos 22 minutos, o Alvinegro criou as oportunidades mais claras e, em uma delas, até mandou uma bola no travessão por intermédio de Victor Simões.
E a pressão deu resultado. Depois de um gol anulado marcado por André Lima, a arbitragem assinalou falta de Victor Simões em Aírton, e uma pedrada de Juninho em cobrança de falta, saiu dos pés do capitão do Glorioso a jogada que originou o gol. Aos 34, Juninho cobrou rasteiro, Bruno defendeu com dificuldades e a bola sobrou para o lateral-direito Alessandro, que, em posição irregular, estufou a rede do Flamengo. A torcida rubro-negra esboçou as primeiras vaias à equipe, principalmente depois de suportar os inúmeros erros de passes no meio-de-campo.
Mas seis minutos, em uma jogada errada do goleiro do Botafogo, que deixou a sua área para fazer falta em Emerson sem necessidade, o Flamengo chegou ao empate. Falta cobrada pelo alto, já na linha de fundo, para a cabeçada certeira de Adriano no cantinho esquerdo de Castillo. Foi o primeiro gol do Imperador com a camisa 10, que agora tem seis no Brasileirão e começa a brigar pela artilharia.
Para a etapa final as duas equipes conseguiram diminuir os erros do primeiro tempo. Com isso, mais bem organizados taticamente, o clássico ganhou em movimentação e perdeu em chances de gols. Tanto que a partida ficou mais concentrada no perde-e-ganha no meio-de-campo, com o árbitro tendo de aplicar alguns cartões amarelos aos atletas. Dos dois lados os cruzamentos da intermediária foram as jogadas escolhidas para tentar superar as barreiras à frente das áreas.
Aos 17, Juninho mais uma vez deu um susto na torcida do Flamengo. Ele voltou a cobrar falta com violência e o goleiro Bruno, que só viu a bola depois dela ter passado pela barreira, defendeu meio que no susto. Dois minutos depois foi a vez de Adriano dar o troco. Fierro desceu pela direita e cruzou quase sem espaço. O camisa 10 deixou a bola quicar e emendou de canhota, mas a bola passou cruzada pelo goleiro do Botafogo, mas também passou pelo atacante Emerson, que se esticou todo e não conseguiu toca-la para dentro. Com o Rubro-Negro melhor naquele momento, o Alvinegro encontrou nos pés de Lucio Flavio a chance de voltar à frente do marcador. Aos 25, ele cobrou falta com categoria e Bruno mandou para escanteio.
Na cobrança, na sequência da jogada, o camisa 10 do Botafogo mandou na cabeça do meia Renato, que se desmarcou e acertou o canto direito de Bruno, que só pulou mesmo para sair na foto. Em vantagem no marcador, o Botafogo passou a tomar medidas defensivas a fim de não vacilar novamente diante do rival. No entanto, não adiantou muito. Com a torcida pegando no pé de seus jogadores, coube a Emerson salvar a pele rubro-negra. Aos 43, depois de trombar com dois marcadores, o Sheik bateu com muita categoria no canto direito de Castillo. No fim das contas, os flamenguistas deixaram o Maracanã mais felizes que os alvinegros.
FLAMENGO 2 x 2 BOTAFOGO:
Flamengo: Bruno, Wellinton (Camacho), Fabrício e Ronaldo Angelim; Léo Moura, Aírton (Maxi), Kleberson, Zé Roberto (Fierro) e Everton; Emerson e Adriano Técnico: Cuca
Botafogo: Castillo, Emerson (Renato) (Reinaldo), Juninho e Eduardo; Alessandro, Leandro Guerreiro, Thiaguinho (Wellington), Lucio Flavio e Batista; Victor Simões e André Lima Técnico: Ney Franco
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ) Data: 19/07/2009 (domingo) Árbitro: Péricles Baços (RJ) Auxiliares: Lilian Fernades (RJ) e Dibert Pedrosa (RJ) Cartões amarelos: Castillo, Eduardo, Thiaguinho, Victor Simões (BOT), Wellinton, Fabrício, Fierro e Everton (FLA) Cartão vermelho: Alessandro (BOT) Gol: Alessandro (BOT), aos 34 minutos, e Adriano (FLA), aos 40 do primeiro tempo; Renato (BOT), aos 27, Emerson (FLA), aos 43 do segundo Público: 29.508 pagantes Renda: R$ 499.403,00
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