O oitavo título da Liga Mundial de vôlei, conquistado neste domingo com a vitória de virada sobre a anfitriã Sérvia por 3 a 2, colocou a seleção brasileira masculina como maior vencedora da competição, ao lado da Itália. Mais do que igualar um recorde, o troféu serviu para um processo de autoafirmação de uma equipe que ainda não conhecia seus limites e sua força, testados pela primeira vez em Belgrado, na última semana.
"Eles nos demonstram toda a capacidade de honrar um legado deixado. Todos tinham um receio muito grande em relação ao que foi feito no passado. Estamos à altura disso? Porque é um peso sobre estes caras em função de um passado recente muito vitorioso. Para eles esta vitória importante para saber em que nível estão", afirmou o técnico Bernardinho.
Com apenas cinco remanescentes do último ciclo olímpico - Giba, Rodrigão, Escadinha, Murilo e Bruninho -, o renovado Brasil fez ótima campanha na primeira fase da Liga, mas diante de seleções que exigiram pouco. O primeiro teste na fase final foi Cuba.
Diante da nova equipe caribenha, que surpreendeu ao terminar o grupo mais difícil na primeira fase na liderança, a equipe de Bernardinho conquistou mais uma vitória. Na sequência foi a vez da Argentina medir forças com os brasileiros, que não precisaram fazer uma partida brilhante para vencer por 3 a 0.
Contra a temida Rússia na semifinal, o Brasil se impôs e com um bom volume de jogo finalizou a partida em apenas três parciais. A decisão foi dramática. Com direito a erros de arbitragem e virada, a seleção brasileira venceu a Sérvia, na lotada Beogradska Arena, por 3 a 2.
"Por ser uma final de estreia para esta nova geração. Um 3 a 2 com 22 mil pessoas gritando contra, com a arbitragem meio duvidosa, acho que foi um teste de fogo e conseguimos passar. Acho que mesmo se tivesse perdido, chegar onde chegou logo de cara com este grupo novo, já estava até bom. Mas este grupo não merecia perder, pelo o que jogou na competição com apenas uma derrota", afirmou Escadinha, eleito o melhor jogador da Liga. Ele é o primeiro líbero a ficar com o prêmio individual.
A decisão teve 11 atletas brasileiros inseridos em uma nova situação. O titular Leandro Vissotto, que terminou a final como maior pontuador com 29 pontos, e os reservas Mário Júnior e Rivaldo estrearam em Ligas Mundiais. Marlon, Éder, Sidão, Thiago Alves, João Paulo e Lucão chegaram à primeira fase final. Até os remanescentes Bruninho e Murilo tiveram sua "primeira vez" em Belgrado.
Reservas no ano passado, eles atuaram toda a competição na equipe principal. "O Giba faz uma brincadeira sempre de que eu sou o novo velho. Já estou muito tempo aqui, mas é meu primeiro ano como titular. Nos últimos anos entrei para jogar, mas não como titular. Era um sonho que eu tinha que realizar, que era ser titular da seleção e poder vencer e hoje estou realizado", disse Murilo.
Com apenas 23 anos, Bruninho foi lançado na posição de levantador titular também nesta Liga, mas já tinha os títulos de 2006 e 2007 no currículo. "No início da competição eu estava um pouco nervoso, mas a gente conversou muito. Eu, o Marlon e o Rapha sempre trocávamos muitas ideias, então estava tranquilo. Estava sempre jogando com uma certa base, um apoio atrás de mim. E a responsabilidade é muito maior de estar em quadra, ter que puxar o time. Em alguns momentos me senti pressionado com esta responsabilidade, mas acho que principalmente na fase final eu consegui me soltar", disse.
Um dos maiores problemas enfrentados pelo levantador é o entrosamento ideal com os veteranos Giba e Rodrigão, que iniciaram a preparação com a seleção por último. A equipe defende que apenas o tempo possibilitará o melhor encaixe de bola entre os jogadores, mas uma certa evolução já pôde ser vista durante mesma a etapa decisiva, em Belgrado.
Apagado na estreia na fase final, Giba foi o maior pontuador nas duas partidas seguintes contra Argentina e Rússia. Embora não tenha sido tão acionado ofensivamente na final, o capitão foi responsável pelo 15º do tie-break, que garantiu o oitavo título da seleção na Liga, o sétimo sob o comando de Bernardinho.
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